Blog pessoal de José Castanheira, membro do Partido Comunista Português, eleito na Assembleia Municipal de Olhão pela CDU, e candidato por esta coligação, à Presidência da Câmara Municipal de Olhão
publicado por Vai a Olhão, vai... | Segunda-feira, 27 Julho , 2009, 18:18

A Convite das 3 Organizações da Ilha da Culatra, a Associação de Moradores, a Associação de Nossa Senhora dos Navegantes e do Cube União Culatrense, tive oportunidade de participar na parte mais solene, das comemorações, ou seja na parte, em que perante as Entidades convidadas, as 3 Organizações da Ilha, prestaram a sua homenagem, àqueles que no seu entender, serviram e dignificaram a Ilha.

Como digo atrás, momento de solenidade, vivido intensamente e até com emoção pelos Culatrenses, como um momento de reafirmação da sua Identidade como Comunidade, na afirmação do que já fizeram e dos objectivos que continuam a prosseguir.
Momento bonito, com o Povo praticamente todo na Praia, os Convidados, a começar pelos Filhos, "Faro em peso”, desde a Sra. Governadora Civil, ao Srs Presidente da Câmara, da Junta de Freguesia, Autoridades Marítimas, partidos políticos, entre os quais o PCP e outros, escutando a Sílvia, o Gabriel, o Daniel, o Fontinha, e os membros da AMIC, homenageando os Bombeiros Voluntários de Faro, as Funcionárias do Centro Social, o Fitas e por ultimo o José Júlio que quando faleceu, há cerca de 8 meses, era membro dos Corpos Sociais das 3 Organizações da Ilha.
È impressionante a referência que o Zé Júlio – o Camarada, como eles dizem – constitui para a gente da Ilha. Não há ninguém que não tenha uma pequena (ou grande), história para contar, passada com ele. Não há ninguém que não tenha saudades do Zé Julio.
As 3 Organizações, fizeram questão de colocar nas respectivas sedes sociais, placas alusivas a esta homenagem ao Zé Júlio e preparam-se para colocar uma outra, no cemitério onde está a sua urna, em data a aprazar.
Digo que é impressionante e digo que é emocionante.
Toda a gente sabe que o Zé Júlio era membro do Partido Comunista. Aliás, o Sr. Presidente da Câmara de Faro, fez questão de sublinhar isso, na sua intervenção, ao referir-se ao Zé Júlio, como “um militante da Ilha, um militante das Pessoas e um militante Comunista”
E refiro esta postura dum adversário político, ao mesmo tempo que recordo a forma como o Zé Júlio não era respeitado na Assembleia Municipal de Olhão, pela maioria que cá vamos tendo. Isto é, enquanto foi vivo e esteve na Assembleia Municipal de Olhão, tudo fizeram para o minimizar e apoucar. Por vezes, os mais altos responsáveis autárquicos em Olhão, parecia que queriam “achincalhá-lo”, de tal forma que o Zé se fartou e pediu para ser substituído e renunciou ao mandato. Depois, quando faleceu, apresentaram uma moção de pesar, como que chorando “lágrimas de crocodilo”…
Já agora, deixem-me referir que não vi nenhum responsável Autárquico, nem político do Partido Socialista, de Olhão, presente na Ilha, naquele Domingo… terão sido convidados? Não sei… mas voltarei a este assunto!
Mas, como diria o Zé Júlio, “eu cá, digo assim”: “como é isto possível?”, como se pode ser tão apreciado por uns e tão menorizado por outros?”.
Eu creio que a resposta está no próprio Zé Júlio, no seu carácter e na postura daqueles que com ele privaram.
O Zé Júlio era de facto, uma pessoa singular, um exemplo de conduta pessoal, cívica, social e política. Era um homem de causas. Até podia não se concordar com ele, mas acabávamos por respeitá-lo. E as pessoas simples, mas que sabem muito bem o que querem, da Culatra, compreenderam isso e compreenderam-no bem. E adoptaram-no como um filho da Ilha.
Os adversários políticos em Olhão, na Assembleia Municipal, temiam a sua capacidade de levar à Assembleia os problemas das pessoas e não o respeitavam, ele que era tão eleito como eles.
Olhão perdeu um bom Autarca!
A Culatra ganhou um grande activista.
Os nomes daqueles que na Assembleia de Olhão, o tentaram apoucar, ninguém conhece.
O nome do Camarada Zé Júlio, está espalhado, para sempre, pela Ilha, nas Sedes das Organizações onde colaborou e nos corações dos Culatrenses que com ele conviveram!
 
José Castanheira

amigo do amigo a 4 de Agosto de 2009 às 18:28
Boa tarde.
Felizmente que os "CULATRENSES" não deixaram que com o "CAMARADA JOSÉ JÚLIO" a célebre história do autor Guerra Junqueiro - "O Fiél" acontecesse. Sou suspeito pela amizade que me ligava ao falecido e grande Amigo José Júlio, mas sou por outro lado justo e preciso com a análise e recordações que este Amigo me deixou. Se ser "Comunista" se traduz nos ensinamentos, empenho, dedicação, honra, compromisso, entre outros adjectivos qualificativos que poderia referir para o classificar, e que "ele" de forma simples e desinteressada aplicava a cada minuto, a cada momento, fico muitíssimo contente por ter conhecido e privado de perto com aquele AMIGO COMUNISTA que nos corações de todos nós deixou saúdades.
Quando alguém morre, por muito que nos custe, tenho verificado no sentimento dos ditos amigos um sentimento de falta passageira, atitute que não tem sucedido com o "JOSÉ JÚLIO", prova incontestável da sua presença e participação, sem esquecer o empenho e o compromisso, que mais parecia uma escritura lavrada e registada em notário.
Volvidos oito meses, parece-me que foi ontem que "ele" nos deixou, tal a saúdade que sinto e sentimos pelo "ZÉ".
A Ilha da Culatra perdeu um dos seus baluartes e o partido Comunista perdeu um "mestre".
Este não é certamente mais um daqueles casos em que quando se morre é boa pessoa, "ele" sempre o foi, prova disso a lembrança diária de todos nós por figura tão grata , todos mas todos, novos, velhos, homens e mulheres o lembram com eterna saúdade. José Júlio, também aqui pretendi deixar o meu reconhecimento, acima de tudo justo e reconhecido.
A rede da vida, contrariando as regras usa cada vez mais uma malhagem apertada e pesca sem olhar ao que pesca, estamos contigo no Coração e recordar-te-emos sempre. Até um dia CAMARADA.

Ana Sandra C. a 6 de Agosto de 2009 às 18:01
Estudei com um dos filhos do falecido Sr. José Júlio, como tal de perto privei ainda que pontualmente com o citado. No seu trabalho relativo ao dia da Ilha da Culatra e ao Sr. José Júlio, apercebo-me pelo relato que Olhão e a CMO terão dado pouco valor a um trabalho digno, honesto e em defesa dos mais desprotegidos, como foi o desenvolvido pelo HOMEM e o AMIGO Sr. José Júlio. Das suas palavras depreendo a insatisfação que lhe vai na alma, como que reconhecendo e lamentando que o trabalho do homenageado só tenha sido reconhecido na Ilha da Culatra, facto que todos lamentamos certamente. Voiltando ao passado e utilizando palavras de outro grande homem, cito "Ó Vila de Olhão, da Restauração, Madrinha do povo, Madrasta é que não" - quer-me parecer o contrário nos dias que correm, Olhão terra madrasta dos que a servem e a desejam ver melhor e ao contrário amiga dos que dela se servem. Os nomes dos que têm desenvolvido trabalho pela mesma ainda são alguns, mas o certo é que estão no esquecimento e podia referir alguns (vivos ou já falecidos), tais como, o Sr. Josué Marques, o Dr. Joaquim Saraiva, o Dr. J. Matta Artur, a Dª.Conceição Pires, o Mestre Artur, o próprio Gabriel Fitas agora homenageado na Culatra, a Dª. Conceição e a Dª. Zulmira (ambas enfermeiras), o Sr. José Damásio, o Sr. Francisco Guerreiro (Pechão), a Drª. Isabel Marques, entre mais alguns e que agora a memória me falha.
Voltando ao início, homens como o Sr. José Júlio deviam de ser motivo de exemplo, pelo seu carácter, empenho, determinação, resistência e até pela capacidade de saber perdoar.
Se os amigos do Sr. José Júlio assim o quizerem e os Culatrenses que o homenagearam, também, este jamais será esquecido, será lembrado pelo trabalho desenvolvido na Ilha da Culatra, banhada por uma Ria Formosa que se não lhe jogarmos a mão qualquer dia será (des)formosa.
Sr. Castanheira, agradeço-lhe as palavras sentidas que referiu ao Sr. JJ - José Júlio. Bem haja.

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