Blog pessoal de José Castanheira, membro do Partido Comunista Português, eleito na Assembleia Municipal de Olhão pela CDU, e candidato por esta coligação, à Presidência da Câmara Municipal de Olhão
publicado por Vai a Olhão, vai... | Sábado, 08 Agosto , 2009, 00:23

O Governo do Partido Socialista, apoiado em tudo pelo Eng. Leal, actual Presidente da Câmara de Olhão, publicou uma nova Portaria (678-A/2009), autorizando a transferência de quotas de pescada entre embarcações, sobretudo, porque na Zona Norte, se “joga pescada ao mar”.

Bem, esta alteração é uma alteração fictícia, na medida em que a anterior portaria já permitia a transferência, mas a realidade é que quem tem quota, com a pesca como está, dificilmente cederá parte do que tem…
Portanto é uma alteração, que não altera nada… mas adiante. È mais uma cedência a interesses organizados e com influência junto do Governo do PS.
De qualquer forma, a publicação duma nova portaria, prova que se houvesse vontade política, teria sido possível – como foi prometido aos armadores-pescadores da Fuzeta – resolver as suas pretensões, quer dando mais valor à arte do anzol, quer estabelecendo a “zona da Beirinha”, como área de reserva para as embarcações da Fuzeta licenciadas para a pesca com anzol.
Nada disto foi feito, mas também passemos adiante. Fica claro o que significam as promessas e compromissos do Partido Socialista.
Porém o problema mais grave ainda não é esse.
È que de repente, os pescadores da Fuzeta tomaram conhecimento que a sua quota está a 96%, isto é, praticamente esgotada.
Enquanto ao Norte esgotaram a quota em Abril, os homens do mar da Fuzeta, numa atitude de grande consciência, têm procurado dosear o esforço de pesca, escalando-se entre si para que 2 ou 3 embarcações fainem por semana e dessa forma o esforço de pesca seja repartido e permita que o recurso vá dando para se ir ganhando a vida.
Mas apesar disso, esgotaram as 3 toneladas que cada embarcação podia capturar e que eles sempre disseram que era pouco para uma embarcação com 4, 5 ou 6 tripulantes, ao contrário do que o Eng. Leal, afirmou que nunca houve problema, que como ele disse, os pescadores da Fuzeta estavam a trabalhar.
Isto é, falou quando viu que o seu Governo, “atamancou” o problema…
E agora, Eng. Leal, o que vai dizer-lhes?
Não vão poder pescar pescada o resto de Agosto, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro…
Por outro lado, não há polvo…
O que vai então dizer aos pescadores da Fuzeta? Como vai dizer-lhes o que fazer para pagar as suas despesas e alimentar as famílias, até ao fim do ano?
Vai dar-lhes sacos de comida até às eleições?
Ou vai deixar de fingir que resolve e encarar de frente o problema e tentar em diálogo com os pescadores da Fuzeta, encontrar Programas de Apoio, como as paragens apoiadas economicamente, ou candidaturas ao Fundo de Desemprego, ou outras que amenizem a situação?
Ou pode aproveitar algum ministro que venha ao Festival do Marisco, para lhe lembrar esta situação, enquanto o ministro come umas lagostas…
Para mim, e para a CDU, a prova está feita!
Há pescada para apanhar e as Autoridades, embora continuando a haver cuidado, podem ir mais longe na gestão do recurso e alargar as possibilidades de pesca, sobretudo, com uma arte como o anzol, que é considerada aquela que menos mal provoca nas espécies, neste caso a pescada e que é a pretensão - baseada quer na prática, quer em estudos científicos – dos pescadores da Fuzeta.
 
José Castanheira

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