Blog pessoal de José Castanheira, membro do Partido Comunista Português, eleito na Assembleia Municipal de Olhão pela CDU, e candidato por esta coligação, à Presidência da Câmara Municipal de Olhão
publicado por Vai a Olhão, vai... | Sábado, 21 Março , 2009, 00:38

Antes de abordar o assunto que me proponho tratar, não posso deixar de agradecer as gentis e sábias palavras dos pezados conterraneos, "Mano João" e "Amigo de um Amigo", que quizeram "postar"neste espaço.

Obrigado a ambos, pois não só são estimulantes, como ajudam a aprofundar a reflexão em torno das questões que tento analisar.

Quanto ao Zé Julio, é impossivel pensar nele sem emoção.

Tenho saudades da sua serenidade, do seu bom senso, da sua boonomia e da sua firmeza de convicções.

Como disse um amigo recente, mas que já ocupa um lugar de relevo no mundo dos meus afectos, "não perdôo ao Zé Julio, ter-nos deixado tão cedo..."

Mas enfim, a vida continua e o Zé Julio haveria de nos "empurrar para continuarmos a viver e a lutar.

Então, acerca do novo auditório, tive oportunidade de ver pela internet e de ter ouvido alguns dos responsaveis, além do inevitável Eng Leal (agora não faltou à televisão...), e parece que estamos realmente perante um equipamento que permitirá novas funcionalidades em termos culturais, que até aqui, não eram possiveis no nosso concelho.

Sim senhor, muito bem!

Entretanto, recebi em casa, na qualidade de membro da Assembleia Municipal, um convite do Sr Presidente da Camara, para, com a minha esposa, assistir à inauguração, ao espectáculo, mas teria que telefonar a confirmar, para poder levantar os ingressos.

Agradecendo sincera e interiormente os convites, embora acho isso o minimo que a Câmara poderia fazer - convidar os eleitos, já que por exemplo, não convidou o Sindicato dos Pescadores... - lá liguei para o número indicado. Fui gentilmente atendido por um senhor que confirmou o meu nome e me informou que todos os que comparecessem à inauguração, estavam convidados para um banquete oferecido pelo Sr Presidente da Câmara.

Bem, aí, fiquei pior que estragado.

Ali estava o "suborno"mais explicito que já tinha ouvido, isto é, "vens à inauguração porque temos cá o ministro e temos que compor a sala e depois papas um almoço à borla...", perdoem a linguagem!

Na Coordenadora da CDU tinhamos admitido associarmo-nos ao concerto, não tanto pelo artista em si, mas para não parecermos "bichos do mato", que se isolam nestas coisas.

Mas perante isto, imediatamente pusemos a idéia de parte.

Não queremos estar associados a nada que cheire a clientelismo ou interesses que não sejam os da nossa terra. E portanto, em almoçaradas, não nos apanham lá.

Até porque, embora, como atras fica dito, se trate dum equipamento que fazia falta (ao contrário por exemplo do parque de estacioamento do Pingo Doce, que está 9 meses "às moscas"), não deixa de haver reparos a fazer, como sejam a derrapagem nos prazos e nos custos (segundo algumas informações, 4 vezes mais do que o previsto), mas sobretudo não está á vista o que trás o auditório de novo em termos de condições para os produtores culturais do concelho e o seu fomento.

No fundo vamos poder assistir a espectáculos que até aqui não podiamos assistir.

Mas seria bom que se juntasse a este aspecto, a criação de condições para a produção de cultura pelos agentes culturais Olhanenses.

Espermos que isso seja possivel e esperemos que passe o periodo eleitoral, para ver como estabilizam os preços dos bilhetes.

Até pode ser que o Eng Leal, não continue a ocupar o cargo que ocupa...

 

José M Castanheira


Mano João a 22 de Março de 2009 às 00:36
Embora não fosse um equipamento prioritário para a cidade que tantas carências tem, o auditório aí está. Inaugurado com pompa e circunstância, como convém à propaganda governamental, enferma logo à partida de algumas falhas, nomeadamente quanto à programação. Perspectivando o enriquecimento cultural da população olhanense, a sua directora teria que ter apresentado um programa de actividades específico que contemplasse os valores culturais dos olhanenses em particular e do concelho em geral. Ficou-se por dois espectáculos musicais (com artistas de fora), um concerto de orquestra e um espectáculo de teatro. É tudo? Ao que parece, sim.
Tanto atraso na abertura ao público não deu tempo de se programar decentemente?
O preço do bilhete fixado para estes espectáculos foi de 10 €. Ora em tempos ditos normais até nem é caro, mas agora com a crise, é significativo para uma família de 4 elementos. Estão previstas reduções, num quadro de solidariedade apregoada pelo eng. Leal no artigo do Correio da Manhã?
Tenho as minhas dúvidas se foi boa escolha, a da directora, depois do que foi feito no Teatro das Figuras em Faro. A mesma senhora, ao que sei, irá dirigir a Biblioteca Municipal. Não será "muita areia para a sua camioneta"? Que programação tem a Biblioteca? Que eu saiba, nenhuma a longo prazo. Fizeram-se três lançamentos de livros de autores olhanenses na Biblioteca. Óptimo. Mas falhou a divulgação; as poucas livrarias da cidade não sabiam sequer da sua existência; a própria Biblioteca, estranhamente, é que vende os exemplares de um deles.
O amigo refere o parque de estacionamento do Levante. Essa é outra. Um parque de carros privado feito com dinheiros públicos? Se é privado, não admira que esteja às moscas, provavelmente porque está encerrado quando o estabelecimento está.
É este conjunto de mal definidas realidades que mancha a argumentação da edilidade face à concretização destes equipamentos.
E já não comento as inaugurações com almoços e os convites, porque aí teria de ir buscar, por exemplo, o Festival do Marisco e então teria aqui 2 ou 3 volumes de mal amanhadas perguntas sem respostas.

Para finalizar, registo e agradeço a deferência que tem para com os meus comentários.

Haja saúde
Mano João



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